sobre caim

recebemos por mail o texto que segue:

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A POLÉMICA SARAMAGO/CAÍM

Saramago, democraticamente, tem todo o direito de ser ateu como qualquer outro cidadão igualmente o tem. Também é verdade que a prática histórica das religiões mostra um acervo contínuo de arbitrariedades, de abusos e de crimes. É igualmente certo que o poder, segundo se sente, é o que mais interessa aos líderes das religiões reveladas.
No entanto, dito isto, importa reconhecer que Saramago jamais teceu, nos seus escritos ou nas suas palavras ditas, críticas tão firmes a abusadores, tão abusadores como os outros, como Stalin, Mao, Fidel, Beria ou Pol Pot. Nem sequer submeteu a uma crítica firme as prepotências inscritas e intrínsecas da doutrina marxista, leninista, guevariana ou estalinista.
Quanto à sua “filosofia”, em Portugal, nunca passou por pensar seriamente, compenetradamente, as caquexias de Cunhal e outros dirigentes ou do PC.
Por isso, no mínimo o que poderemos achar é que Saramago é tristemente parcial.
Se ele visa ou não uma estratégia de marketing, é assunto que não abordaremos, por ser – a ser verdade – demasiado lamentável.

Jorge Envendos

5 Comentários

  1. Um dos textos mais sóbrios e equilibrados que li sobre este assunto. Talvez por isso mesmo um dos mais desmascaradores da hipocrisia e do cinismo de Saramago e das igrejas, todas elas uma peste tão grande como o saramaguismo.

    • Mas quando é que deixam cada um ler a bíblia como quiser e o saramago também?

      Um texto não passa de um texto, como um quadro, se tiveres olhos, olhas e vês nele ,”à tua maneira”. Posso? A bíblia é um conto de fadas cheio de poemas eróticos. Um livro censurado ao longo do tempo, como bem diz Envendos. O saramago não criticou o stalinismo? Tristemente parcial? Atenção a telhados de vidro…
      ps. não sou saramaguista, sou mais blimundista.

  2. nota importante: – a fundação velocipédica recebeu este texto via email – publicou-o (apenas por questões que se prendem com a liberdade de cada um se exprimir).
    a fundação velocipédica não está nem deixa de estar de acordo com o seu conteúdo – ele (conteúdo) é-lhe absolutamente indiferente.
    o coordenador desta fundação nada tem a ver com a polémica – não entrou no “paraíso democrático” encetado pelo “abril dos cravos” via neo-realismo ou mesmo via água benta…
    as águas das fontes que bebeu foram outras.
    daí que este peditório marxista versus cristianismo passa muito – mas mesmo muito – ao lado.
    para nós outros valores “mais altos” se levantam.

    “a razão é (para nós) outra!….”

  3. O texto de Joana Padrel, finalizando com o americaníssimo i know, i know, é um exemplo de disparo ao lado para atingir o alvo que realmente pretende.
    O que está em causa não é ler-se saramago ou a bíblia à vontade, de facto quem é que proibe uma ou outra coisa? Ninguém que eu saiba.
    O que está em causa é que o escritor critica os beatos das religiões mas não os beatos das ideologias. E isso custa a engolir à joana, blimundista mas não saramaguista, esta não percebi, deve ser como aqueles frades que dizem faz o que eu digo mas não faças o que eu faço.
    E há outro facto: o cristianismo e o marxismo, mesmo que se tenha uma atitude de afastamento em relação aos dois, e às polémicas que eles causam, infelizmente aí têm estado sempre, sempre, a constrangerem os seres humanos. Por mais que se faça, eles não nos deixam em paz.
    Nem o saramago e os seus propagandistas, já agora.


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