bicicleta – a revista

Bicicleta Nº 9 – foi lançada em EDITA 08 – Punta Umbria – Huelva.

Um projecto de Mandrágora – centro de cultura e pesquisa de arte

&…
após a presença em Edita08 – Encuentros Internacionales de Editores Independientes -  “bicicleta” será lançada em Portugal – dias 6 e 7 de Junho na Sociedade Guilherme Coussul (Lisboa – av. d. Carlos I) antecedida da apresentação do espectáculo “A Mandrágora”, cujo texto está exposto na integra na publicação.
sobre a revista: “A nova “BICICLETA” está a chegar… desta vez com um formato quadrangular e capa com uma excelente foto de Victor Belém (que tem patente uma exposição individual na Galeria Hibiscus).
A direcção é do Bruno Vilão e a coordenação do Manuel Almeida e Sousa que assina igualmente o bonito design da revista. Com referências ao surrealismo português (Mário Cesariny de Vasconcelos, Lud), ao dadaísmo (Tristian Tzara, Georges Ribemont-Dessaignes, Francis Picabia e Céline Arnauld), e à poesia visual (Antonio Gómez, Artemio Iglesias, Clemente Padin, Fernando Aguiar, Ricardo Mestre e M. Almeida e Sousa), tem também a colaboração de Renato Suttana, Nicolau Saião, Vergílio Alberto Vieira, Amadeo de Souza-Cardoso, Uberto Stabile, Pedro Afonso, João Bentes, Fernando Rebelo, João Daniel, Bruno Vilão, Gonçalo Mattos e Pedro Espada.
A segunda parte da “BICICLETA” é constituída pela peça “A MandrágorA” escrita e encenada por M. Almeida e Sousa, com base no texto de Nicolau Machiavel (1469-1527) e que o grupo “Mandrágora” está actualmente a apresentar.”
(in: http://ocontrariodotempo.blogspot.com/)

Benditos plágios malfeitos


Se os surrealistas portugueses escreveram no seu tempo “não somos originais”, nós, hoje, seremos certamente muito menos. Mas não será por receio da exposição à crítica e ao plágio que nos toldarão os sentidos. Da nossa inquietação mental e fleumático pretensiosismo, impõe-se a procura de rasgar a barreira da mediocridade consciente, propiciadora de espartilhos mentais e de encarceramentos racionais.
No Manifesto Surrealista, André Breton postulou o automatismo psíquico, a necessidade de libertação do acto criativo das amarras da consciência e da razão. Como inóspitos plagiadores, apostamos na fluência desimpedida do inconsciente, na capacidade de criar imagens soltas, desencontradas, reveladoras de um universo onírico escondido nas entranhas da consciência.
E por não sabermos igualmente, como Mário Cesariny de Vasconcelos, se fodemos tudo ou se tudo nos fode, impomos uma orgia mental pautada por uma ideologia poética e por uma alucinada experimentação intelectual.
Revoltamo-nos pela pureza dilacerada, pelo magnetismo oprimido, pela irreverência original perdida de que se reveste a nossa natureza individual, e contra a ansiedade contida, ironicamente oferecida pela domesticação do EU único, do Eu puro, do Eu natural, submetido a cada cruel instante à apreciação da imagem do Eu ideal.
Superando as tensões e as máscaras sociais impostas, procuramos atingir e expressar a transparência do sonho nos palcos, nas telas, na tinta sobre o papel… Insurgimo-nos também contra a submissão às normas estabelecidas e proclamamos a omnipotência, a superioridade do sonho e do inconsciente sobre o real, o desregramento de todos os sentidos.
E como plagiar não custa, ambicionamos ainda a desconstrução da forma e a potencialização do imaginário.
Pois tal como Breton,
“Não será o medo da loucura que nos forçará a arrear a bandeira da imaginação”.

Bruno Vilão

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