o senhor lagarto lança garfos no teclado para alimentar o homem bicicleta, o que atravessa o palco a disparar imprecações
- ori gui ohkum
ori gui ohkul
ori ori ori
kim kim kim
onde estás tu?
onde estás tu?
tu
estás onde?
disse em jeito de quem pergunta, o homem bicicleta
e
o senhor lagarto vem cá fora
- ortra k’tam
orta k’tam
a cega dilatação do ventre cósmico….
recebe-nos
abraça-nos
nesta assombrosa cova onde a luz habita
a senhora biblioteca, espantada, faz coro com o senhor lagarto
- um cavalo negro
um homem pintado de branco
um livro branco
um telefone vermelho
a chamar…
a chamar…
… o tratado de fisiognomia
então o senhor lagarto atravessa a subtil fronteira.
- ih!…
instantânea expressão
ih!
instantânea impressão
oh!
digital impressão instantânea sobre aquele papel metalizado de que tanto gostas
a senhora biblioteca espantada dirá:
- apenas para ressaltar
o calor
o ardor
e
a fome vermelha
que goteja das comissuras da carne
o homem bicicleta adormecido ao ritmo de pastilhas:
- ah!
ah!
qu’importa
t’importa
a porta
t’exporta
oh!
oh!
não deixes à porta aquele rasto de folhas secas
a senhora biblioteca:
- formoso brocado
sempre recomeçado
o
que se abre ao tempo
o senhor lagarto saltitante:
- ops… ops…
sou o animal desventrado
sou aquele
que te abre as portas das entranhas da terra
da minha testa brota a ferida luminosa do tempo
a senhora biblioteca roda sobre si mesma:
- o teclado…
hip… hip… ship…
vic hip zip
zip olé niiiiiiiiiiiiiiiiiiil
… põe todas os nossos sentidos em tensão
ressoam os sinos e os nossos heróis arrastam as pautas musicais cantando:
- aterradora beleza
a deste retábulo.
existência…
… oh!…
aterradora beleza
esse estrume que nos articula
… esses latidos ao longe
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