ATÉ AO FIM

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Quando entrei na sala vi num relance que o meu demónio
estava deitado
A boca entreaberta, um resto de baba no queixo de quem
Dorme justamente como um anjo.
A janela pouco cerrada e o sofá chegado
à plena luz
A manta já antiga azul e amarela roçava o chão como se
Tivesse havido por ali discreta borracheira dominical.
Congeminei
Que ele antes de reentrar vindo do etéreo passara
por uma tasca ou que
aceitara a oferta toma lá dá cá de um qualquer maltrapilho
Cheio àquelas horas entradotas de uma modesta
fraternidade bebedora.
Olhando bem via-se-lhe contudo no rosto
uma vaga felicidade
Dizendo melhor uma centelha de contentamento
ou alegria, ou
assim como que a sensação de quem vira o mundo
no seu lugar real

Vamos a ver, no fundo a lonjura dominava
Como se visse o cavalheiro por uns binóculos ao contrário

Cheirava um pouco a flores e vagamente
a desodorizante
Um livro tombara no chão, ficara à espera
aberto anquilosado
Quando abri a porta da cozinha vi sobre
o fogão um tacho com
Uma iguaria qualquer com que se entretivera
certamente antes de cair no leito vencido
talvez pelas canseiras das últimas horas.

Se minha mãe estivesse viva decerto
lhe teria aplicado um raspanete
Uma expressão em dialecto se calhar
um tabefe levezinho. O meu pai
Poria na cara aquele sorriso suave dos dias sem idade

Lá fora estrepitavam ruídos da cidade barulhenta
Contos do dia e da noite, o irresistível
fascínio do desconhecido.
Sentei-me, a angústia apoderara-se de mim. Uma frase estranha
Revirava-se-me na cabeça.
Quando olhei pela janela o horizonte
pareceu-me uma linha ténue.

Mais tarde, pensei, falaríamos a preceito. Ou antes
por entre dentes eu diria talvez
coisas sobre a grande aurora ou então sobre a memória

Sibilina dos sobreviventes imutáveis.

 

Poema de Nicolau Saião

exposição

“Constança Lucas e Jacqueline Aronis”

Gravuras, desenhos,

poemas visuais e livros de artista

até 07 de novembro de 2009 -  próximo sábado

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Galeria Gravura Brasileira

http://www.gravurabrasileira.com/

Rua Dr. Franco da Rocha, 61, bairro Perdizes,

São Paulo, SP – Brasil

Horário de funcionamento:

Segunda a Sexta: 10h00 às 18h00 e Sábado: 11h00 às 13h00

http://constancalucas.blogspot.com/

http://www.constanca.lucas.nom.br/

http://www.facebook.com/constanca.lucas

Botella del Náufrago

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Acaba de sair a revista “Botella del Náufrago”. Nela colaboram: Nicolau Saiao (Portugal); Julia Benavidez, Rolando Revagliatti, Ivana Szac, Viviana Carinci, Eduardo Espósito, José Oscar Perdigón, Norma Gianico (Argentina); Raúl Henao, Francisco Cisco (Colombia); Patricio Bruna Poblete, Emilia Valenzuela, Patricio Gutiérrez, Eliana Vega, Claudia Beba, Franco Bertozzi, Luis Abarca Mayea (Chile); Alexander Zánches, (Panamá) y Ricardo Díaz (França)

2 poemas publicados 2

Pensamiento Mágico


Huele a orines el baño de la niña
Huele a toallita recién menstruada
a gota gorda
y la mañana -sin embargo- la ilumina
y su pequeña tragedia cotidiana
se diluye como gotita al sol
La boca abierta a la luz
como una breva picoteada por los pájaros
Canta victorias que no ve
pero pretende ciertas
Por un mes más
por veinte días
Él podrá escapar a la existencia

Eduardo Espósito

Textos de “Cantos do deserto” (Desierto de Tabernas, Almeria, España)


l. Coisas, coisas e labirintos, pedras entre
pedras – que o sol aqui se põe muito mais tarde
A sonolência da erva Fórmulas mortas
que a memória nos dá. Tudo o que de longe pela noite
se vê Animais parados como desejos Como
desconhecidas raizes Figuras que de repente
erguemos por dentro (a casa nova e sem ninguém, a
oliveira cortada, a mágoa de saber que flores e frutos
são já de uma outra vida, pois que os meses
inconclusos se afastam). Bosques que num repente
devagar se consomem Destroços na lembrança
nos olhos ou nas chagas
Diferentes coisas sobre os espaços da manhã.

2. Vestígios de as águas Troncos mortos sílica
nas páginas impressas. O rosto um rosto
que se sabe perdido As leis do mundo
serenamente postas na paisagem. O negrume da noite
e um quadrado de açúcar no interior do tempo
Na chávena de chá
oferecida bebida no sopé da montanha.
À nossa frente, a casa
e uma figueira morta. Olhos semicerrados
pela ardência do ar – um corpo que submete
passos paragens sedes. Que em tudo se define
nossa pura vontade Não de
apenas zonas rochedos ou areias As aves
que nunca iremos ver.

Nicolau Saião

então, vá!

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… Oh, filho! E se fosses c… ao Bilhar Grande, a ver se isso te passa?!  >>> aqui

no porto

marcha

uma questão – de boa educação

Um excelente texto sobre educação – como sempre – claro que é de santana castilho (no público de ontem)

educação

na era do anti tabagismo

e… a propósito das edições especiais de lucky strike – a lei anti-fumo está a foder o design toooodo!

nota:

não recebemos apoios da lucky…

e… por acaso, até fumamos camel…

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sobre caim

recebemos por mail o texto que segue:

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A POLÉMICA SARAMAGO/CAÍM

Saramago, democraticamente, tem todo o direito de ser ateu como qualquer outro cidadão igualmente o tem. Também é verdade que a prática histórica das religiões mostra um acervo contínuo de arbitrariedades, de abusos e de crimes. É igualmente certo que o poder, segundo se sente, é o que mais interessa aos líderes das religiões reveladas.
No entanto, dito isto, importa reconhecer que Saramago jamais teceu, nos seus escritos ou nas suas palavras ditas, críticas tão firmes a abusadores, tão abusadores como os outros, como Stalin, Mao, Fidel, Beria ou Pol Pot. Nem sequer submeteu a uma crítica firme as prepotências inscritas e intrínsecas da doutrina marxista, leninista, guevariana ou estalinista.
Quanto à sua “filosofia”, em Portugal, nunca passou por pensar seriamente, compenetradamente, as caquexias de Cunhal e outros dirigentes ou do PC.
Por isso, no mínimo o que poderemos achar é que Saramago é tristemente parcial.
Se ele visa ou não uma estratégia de marketing, é assunto que não abordaremos, por ser – a ser verdade – demasiado lamentável.

Jorge Envendos

caim sem abel

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a dimensão de deus
é deveras preocupante
a única dúvida que se nos levanta é o saber se ele paira no espaço
ou
se porventura entrou na órbita solar

garantiram-nos que
nem saramago
nem o papa
o sabem

(saramago por se ter exilado em espanha e bXVI por avaria técnica na rede web do vaticano o que o tem impedido dialogar com o além)

a única coisa que sabem  – ao que parece – prende-se com esse “best-seller” editorial que tem por nome “bíblia” (não confundir com a revista bíblia que tem presença nas bancas da marginalidade de-vez-em-quando)

essa obra prima da literatura foi escrita por inspiração divina
ouvimos algures

quer isto dizer que deus emprenhou os ouvidos dos humildes pastores judeus
e
estes se tornaram (de um momento para o outro)
mais poéticos que o senhor fernado pessoa
mais filósofos que o senhor saramago
mais sociólogos que a doutora maria de lurdes rodrigues
mais marxistas que o nosso herói groucho marx
mais anarquistas que o grão mestre bakunine
mais videntes que a d. maia
mais espirituais que pio XII
etc & tal

das últimas notícias que temos
-  caim é de facto um livro de josé saramago e abel nunca existiu (sobre adão e eva levantam-se muitas dúvidas)
- o patriarca do porto anda de candeias às avessas com o nobel escritor português
- os seminaristas lusíadas estão a organizar uma grande manifestação para exigir do papa alemão o direito à união de facto (o bloco de esquerda já mobilizou os seus militantes – disse-o francisco louçã aos todos canais de TV)
- o vaticano convocou deus para estar presente em fátima (deus não confirmou nem desmentiu)
- pelo sim pelo não saramago irá também ao santuário para se certificar “in loco” se deus existe (já garantiu que convidará o supremo arquitecto para uma bica na brasileira do chiado)
- o cardeal patriarca de lisboa foi peremptório – aos microfones da rádio renascença
“deus mandou-me um email afirmando que jamais irá beber bicas com ateus”
- José socrates  já comprou o seu exemplar de “caim” numa livraria do freeport e cavaco silva adquiriu dois exemplares de “abel” e vinte da nobilíssima “bíblia para todos”

viva o circo

Benneweis_(c.1930)

“Os meus animais vivem melhor que dois milhões de pobres do país” disse-o Victor Hugo Cardinali Proprietário de um dos circos mais famosos em Portugal em guerra contra a nova lei que anuncia o fim dos espectáculos com animais (in jornal I)

se coisa há que nos irrita profundamente são as ideias ditas “politicamente correctas” (ponto final) da mesma forma se tornam intragáveis (vírgula) esses apelidados grupelhos ecologistas e ambientalistas  que proliferam e (vírgula) se preocupam com merdas esquecendo – propositadamente – os verdadeiros podres deste país (ponto final & parágrafo)
o governo que temos (ainda) resolve proibir a compra de animais exóticos ah ah ah

o raciocínio (dois pontos)

depois da perseguição a professores e funcionários públicos (muitas reticências)
“vamo-nos aos gajos do circo” (exclamação & ainda mais reticências)

obra de Pablo Picasso dedicada às gentes do circo

obra de Pablo Picasso dedicada às gentes do circo

* estamos em portugal (vírgula) país da “europa” onde os animais são tratados “abaixo de cão”
* estamos em portugal (vírgula) onde a maioria dos apelidados “animais de companhia” passam a vida acorrentados ou em canis (vírgula) quando não abandonados nas cidades
* estamos em portugal (vírgula) onde as várias raças de canídeos lusitanas só escaparam da extinção graças a cidadãos estrangeiros – caso do cão de água português ou do rafeiro alentejano
* estamos em portugal (vírgula) onde os animais de abate são “criados” sem o mínimo de condições de higiene e em espaços exíguos
* estamos em portugal ah ah ah

e
estes senhores vêm legislar contra os animais de circo para deleite desses pseudo protectores de animais e da “natureza”
legislar contra um espaço de espectáculo e de cultura
legislar contra pessoas que vivem em harmonia com os seus “companheiros de trabalho” – que os alimentam que os escovam e limpam (todos os dias) que tratam deles melhor que em muitos parques zoológicos ainda que – muitas vezes – em condições bem adversas
legislar
legislar
legislar
legislar
até contra a reprodução em cativeiro ah ah ah

como disse alguém do circo – o legislador esqueceu-se de passar pelos vários circos para distribuir preservativos para os animaizinhos

estamos solidários com o circo
só podemos estar ao lado destes trabalhadores do espectáculo e sabemos – muito bem (vírgula) porque conhecemos o meio – que os animais dos circos estão melhor aí que nas jaulas dos laboratórios ou nos vários espaços zoológicos deste país

E VIVA O CIRCO

… da diferença

gatovadio

domador de sonhos

O “domador de sonhos” já está em alinhamento na wordpress – o blog do “domador de sonhos” substitui a velha “confraria da alfarroba” e será uma porta de entrada do site com o mesmo nome. espaço poético com páginas de vídeo poemas e vídeo performance e… muito mais.

um nome a não esquecer

“domador de sonhos”

“domador de sonhos”

“domador de sonhos”

“domador de sonhos”

“domador de sonhos”

o santo graal da criptografia

aspecto do grafismo

aspecto do grafismo

Poucos manuscritos há tão misteriosos e intrigantes como o manuscrito Voynich, um livro escrito há cerca de quinhentos anos num estranho idioma (ao qual se resolveu denominar de voynichés) e que até aos dias de hoje não foi decifrado por nenhum dos muitos especialistas que o tentaram. Se pouco é, o livro está repleto de ilustrações de diversa temática. percorre a botânica, a astrologia e  a cosmologia e, também, a biologia e a ciência farmacêutica.

MANUSCRITO VOYNICH – O LIVRO MAIS ENIGMÁTICO DA HISTÓRIA

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Poderia, pois, parecer um antigo tratado sobre conhecimentos vários dos muitos que se defendiam na época, porém os desenhos do manuscrito Voynich mostram-nos uma quantidade considerável de plantas, animais e situações do quotidiano desconhecidas no nosso planeta. Poderemos dizer que é um “manual de botânica e ciência de otro planeta”?… Se tivermos em conta que no manuscrito se representam uma serie de instrumentos que bem poderiam ser microscópios e lentes de ampliação rudimentares, junto com ilustrações daquilo que poderia muito bem ser células e bactérias, algo bastante estranho se tivermos en conta que alguma das teorias de expertos o situam no século XIII.

microscópios do século XVIII

microscópios do século XVIII

artefacto similar do Voynich que alguns dizem tratar-se de frascos para guardar ervas

artefacto similar do Voynich que alguns dizem tratar-se de frascos para guardar ervas

ilustração do Voynich

ilustração do Voynich

microscopio siglo XVII

microscopio siglo XVII

Ilustrações de botanica - plantas que não se conhece a existência

Ilustrações de botanica - plantas que não se conhece a existência

Fontes e informação:
o livro completo – aqui
sobre o manuscrito – aqui
um artigo muito interessante sobre o manuscrito Voynich – aqui
informação muito completa sobre o manuscrito – aqui

a coelhinha proença

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depois de se divertir a desdenhar dos portugueses e da sua “incultura”, a “actriz” de novela e modelo da playboy brasileira,  surge nos écrans para pedir desculpas aos indígenas.
a arrogância, porém, mantém-se…
não é, afinal, um pedido de desculpas é uma justificação.
a coelhinha do playboy afinal faz humor inteligente!…

é uma mulher inteligente.
nós é que somos todos estúpidos.
não a entendemos.

afinal o nosso presidente tinha razão

há mesmo escutas em belém. cavaco silva não mente. não mentiu. acabámos de receber via net a “imagem-prova”.

escutas-em-belem

a velocipédica está sempre bem informada…


o candidato a faro e a democracia

segundo “região sul” – Macário votou cedo em Tavira num acto de “honestidade” (?)

vai um velocípede democrático?
vai um velocípede democrático?

O candidato à Câmara de Faro da coligação Faro Está Primeiro, Macário Correia, votou hoje na freguesia de Santo Estêvão, em Tavira, num acto que considerou ser de “honestidade”.

pois… honestidade (?) e o que é isso em termos políticos?

“(Votar em Tavira) É um acto de honestidade. Conheço casos de pessoas que arranjam malabarismos para fazer situações artificiais nos locais de voto e houve até um caso, do meu principal opositor nesta eleição em Faro (o socialista José Apolinário), que há quatro anos não votou, o que eu acho uma negação de um direito e dever cívico que deve ser praticado sempre”

Ora esta afirmação de Macário (após depositar o voto na urna) é a todos os níveis patética – o senhor. Este senhor, não sabe que em democracia vota quem quer? Um direito não é, de facto, uma obrigação!? e não saberá também que a denúncia é própria de uma cultura fascista ou stalinista? Logo, muito pouco democrática?

Macário explicou que o facto de continuar a votar em Tavira “prende-se com circunstâncias que são visíveis”, pois tem “responsabilidades familiares perante uma mãe idosa que vive sozinha e perante sogros em situação de saúde muito difícil”.

ummm!!!… e nós a julgar que as pessoas votam – sempre – na freguesia onde têm residência… Afinal não. O senhor Macário vota e votará sempre ao lado da família – ainda que esteja a residir no Porto… O senhor Macário no próprio dia das eleições procura fazer campanha a seu favor. Mostrar aos eleitores ter um coração enorme!… Estamos todos, já, solidários com pais e sogros do cavalheiro. Melhor será – mesmo – candidatar-se à Junta de Sto. Estevão para acompanhar os seus queridos familiares. Aliás, tendo em conta as suas afirmações tão distantes de uma cultura democrática, melhor será não se candidatar a coisa nenhuma. Não tem, de facto, perfil democrático.

filo café

silenciooumorte

Filo-Café: Silencio ou Morte
7 Novembro 2009, 21h

O Catro
Petin
Galiza

Inscrições Abertas:
Para a sua inscrição indique nome, lugar de proveniência e área de emissão, através de incomunidade@gmail.com.
As inscrições estarão abertas até final do mês de Outubro (podendo ser fechadas antes, caso o nº de inscritos o justifique)

Áreas de Emissão: Pensamento, Multimédia, Fotografia, Música, Performance, Poesia, Pequenas-Comunicações, Artesanato, Filosofia, Semiótica, Pintura, Escultura.

Inscrições (em permanente actualização):
alba mendez (moaña, poesia), alberte moman (compostela, poesia), lois gil magariños (rois, performance), manoel bonabal barreiro (cambados, pintura), ramiro vidal alvarinho (oleiros, poesia), rosa enriques (petin, poesia), mariola soutelo (vigo, poesia e fotografia), naír g. abelleira (chantada, poesia) sandra guerreiro dias (poesia), iolanda aldrei (corunha, poesia), nelson silva (porto, fotografia), julia jimenez (corunha, pintura)

Filós:
Um filo-café é um triciclo. Movimenta-se pelos próprios. Não tem petróleo. A sua combustão é activada pelo desejo. Não se paga, não se paga. Apaga-se. E vem outro. Cabeças sem trono. Um filo-café lembra-se. Desaparece sem dor.

exposição de arte postal em lisboa

A exposição Em Trânsito - Arte Postal, comissariada por Carlos Barroco, pretende contribuir para o registo dum movimento em que Arte e Comunicação se cruzam, dando a conhecer ao público obras recolhidas nos vários arquivos de artistas, coleccionadores e instituições, nacionais e estrangeiros.

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Muitos foram, e são, os artistas plásticos, poetas e escritores que adoptam os correios como meio privilegiado de comunicação artística. O simples envio de uma carta ou outro objecto postal torna-se, então, um acto criativo pleno de significados cúmplices. O remetente e o destinatário vão alternando o seu papel, numa interacção diferida que enriquece o processo.

É este processo privado, feito de cumplicidades entre as partes, que colocamos agora ao alcance dos nossos visitantes.  Em Trânsito - Arte Postal, exposição e livro associados, é uma mostra do que tem sido esta forma de comunicar com arte através do correio em Portugal.

de 10 de Outubro 2009 a 15 de Janeiro 2010

Os Recados da Tia Arminda (1)

Sempre no afã de valorizarmos este espaço interactivo eminentemente cultural, democrático e transtagano – o que não lhe restringe o seu cariz vincadamente nacional! – damos-lhe uma boa notícia:
Contratada a peso de oiro, se o seu espírito benévolo não se tivesse imediatamente disponibilizado a dar uma borla, conseguímos trazer para esta Equipa a conhecida Drª Arminda Raposo, a Tia Arminda das conversas televisivas e quem na intimidade tratamos, como é natural, com o afectuoso nome de Armindinha.
Senhora de estirpe, ainda que oriunda das classes populares, o seu matrimónio com Miguel de Pitta Raposo lançou-a nos círculos intelectuais de relevo. A breve trecho, mercê do seu espírito desembaraçado e da sua postura sensata, Arminda Raposo conquistou renome e, como os leitores recordarão, foi ela praticamente a iniciadora da moda dos talk shaws com o seu notável e notório “Com a Verdade me Enganas” que, realizado nos Estúdios de Linda-a-Pastora, encantou e divertiu os telespectadores lusitanos.

É este o seu primeiro recado, dos que pontual e ciclicamente passaremos a divulgar para regalo dos nossos leitores, por quem não nos poupamos a esforços de bem servir!

n.
Arminda Raposo

Olá meus queridos amiguinhos!

Hoje venho, para iniciar o nosso contacto, chamar a vossa atenção para um folheto que na região de meus avós andou a ser distribuído e refere algumas verdades como punhos, a meu ver, ainda que em geral não me queira pronunciar dum ponto de vista político-partidário. Mas noblesse oblige!
A nossa responsabilidade cívica, nesta quadra popular mais conhecida por Eleições Autárquicas, é muita e devemos ponderar – como diz o sr. presidente Cavaco e ao outro senhor, o sr. Primeiro ministro actual, também já o ouvi se não me equivoco dizer o mesmo – ponderar, repito, a nossa responsabilidade ante um tal acto. Bem sei que ao falarmos desinibidamente corremos alguns riscos, como seja lixarem-nos um pouquinho a vida, já através de onzenices já com partes gagas e mesmo com outros manejos bem conhecidos de quem exerce o Poder e pode, manda e quer que nos ponham de ponta que é para não sermos obstaculizantes.
Mas o que se dizia lá no folheto, energicamente, era isto que cito e deixo à consideração dos alentejanos daquela urbe que, no próximo domingo, irão cumprir o excepcional dever de votar, mesmo que se abstenham.
E a dado passo dizia assim:

“ Na área da saúde o Partido Socialista nesta cidade (Portalegre) esteve em destaque: Na Extensão de Saúde do Bairro dos Assentos há anos que há falta de médicos. Na Extensão de Saúde do Atalaião por várias vezes o PS tentou fechar este serviço esquecendo que a população é bastante idosa.(…). Edmundo Martinho, Presidente do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social, natural desta cidade, eleito pelo Partido Socialista e membro da Assembleia Municipal de Portalegre decidiu que a Empresa Cal Center fosse para Castelo Branco impedindo que se criassem nesta cidade 400 postos de trabalho. Sendo de Portalegre ajudou Castelo Branco e a Camara PS.
Que fez o deputado Miranda Calha por Portalegre? Mandou construir uma pista de Atletismo em Castelo de Vide, onde não se praticava este desporto.(…).
O Primeiro Ministro José Sócrates anunciou investimentos por todo o País. Para Portalegre anunciou Zero”.

E pronto, meus queridos, não ponho mais no recado. Mas o meu dever de mulher interventiva e de cidadã empenhada na extirpação do véu de negrume que vai fazendo das suas se nos amodorramos,  impunha que eu aqui deixasse este parcial documento – ainda que venha futuramente a correr riscos de clandestinidade!
Até à próxima e beijinhos e abraços da vossa

Tia Arminda


o meu alfabeto

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